Carta Aberta aos Jovens de Martinho Campos

 

 

                   Meu nome é Carlos Avelino Mileo Foscolo, mas talvez me conheçam mais como Carlos Foscolo, ou, simplesmente como o Carlos da Cidadesnet, um portal na internet que é o nosso passatempo ou hobby preferido.  Na realidade, profissionalmente, somos advogado e consultor hospitalar. Já fomos Secretário Municipal  de Saúde de Martinho, durante quatro meses. Somos membro da Academia Brasileira de Administração Hospitalar, ex-consultor da Associação de Hospitais de Minas Gerais e da Federação Brasileira de  Hospitais

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                   Hoje, somos consultor da Santa Casa de Montes Claros, um hospital com mais de 1.100 funcionários, 330 leitos e todos os serviços de um hospital moderno.  E, com muito orgulho, somos também assessor jurídico e consultor administrativo do Hospital Dr.Odilon Andrade, de nossa querida Abadia, cidade que amamos como se fora nossa terra, pois aqui tivemos a satisfação de morar por 10 anos.

 

                   Não obstante o maior respeito e consideração que temos por toda a população sênior de nossa Martinho Campos, estamos nos dirigindo aos jovens de nossa cidade por reconhecer neles o entusiasmo, o dinamismo, o arrojo, a vontade de construir, de mudar e, acima de tudo, por ver neles o futuro e a realização de nossas aspirações desenvolvimentistas. Os jovens têm o incrível poder de mudar costumes há muito enraizados e sedimentados. Os filhos têm mesmo a incrível possibilidade de, às vezes até mudar o pensamente de seus pais.  Por isso apelamos a eles.

 

                   Durante o período que fomos secretário municipal de saúde, ou durante os 10 anos que aqui moramos, ou mesmo agora, quando às vezes estamos em reuniões no Hospital, já tivemos e ainda, de vez em quando, temos, a triste e lamentável oportunidade de presenciar tristes cenas de pessoas que se dirigem ao hospital em situação de extrema hostilidade, proferindo palavrões às recepcionistas, ou desferindo pontapés nas portas, ou atacando o bom nome do hospital.  Entendemos, mais do que ninguém, algumas atitudes nervosas de parentes que querem saber notícias de seus entes queridos. E entendemos porque já estivemos ou prestamos serviços em dezenas ou centenas dos quase 6000 hospitais brasileiros, durante mais de 20 anos de envolvimento com esta área. O hospital é um local de stress, onde alguém tem um ente querido internado à procura de ajuda médica e por isso as pessoas estão no limite de seu controle emocional. Mas esmurrar portas ou proferir palavrões não irão resolver, em nada, a situação de alguém.  Se alguns aspectos do atendimento não estão a contento, podem estar certos de que as atendentes com certeza não são responsáveis por isso, e na imensa maioria dos casos, nem mesmo a direção ou médicos, pois todos estão subordinados a um sistema maior, que é o Sistema Único de Saúde, que muitas vezes impõe regras que limitam nossas ações!

 

                   Conhecemos e já demos consultoria a uma infinidade de hospitais em todo o Brasil. Já estivemos em todas as capitais brasileiras ministrando cursos para profissionais da área hospitalar. Já fomos consultor do enorme e quase perfeito Hospital Albert Einstein, de São Paulo ou do pequeno hospital São Domingos Sávio de BH. Já fomos Secretário Municipal de Saúde de nossa terra, a vizinha cidade de  Pompeu, durante quatro anos, onde fundamos uma policlínica que atende a uma população de 30.000 habitantes. Enfim, conhecemos -- e conhecemos bem! --  todo o sistema hospitalar brasileiro.  E é esse conhecimento que empresta credibilidade ‘as nossas palavras, quando dizemos que nossa Martinho Campos tem um dos melhores hospitais da região, com acomodações de internação extremamente confortável e um bloco cirúrgico invejável, com três salas de cirurgia e, acima de tudo, com funcionários e direção que dedicam ao hospital e aos pacientes uma atenção e carinho insuperável. E, aqui é importante ressaltar o papel relevante e indispensável desempenhado pelo provedor Aderval Ferreira e pelo diretor administrativo José Francisco – o Bitira, como é chamado por todos – que se dedicam em tempo integral à administração segura, responsável e eficiente do Hospital Dr.Odilon Andrade.

 

                   Às vezes faltam médicos, reconhecemos. Mas isso não é um problema isolado do hospital.  A grande maioria dos profissionais médicos, hoje, não querem mais residir em pequenas cidades sem que fundações, empresas, ou o poder público lhes ofereçam várias condições especiais como moradia e garantia de renda mínima. Este é um dos grandes desafios a ser vencido pela Comunidade Martinhocampense: Fixar o médico na cidade!  A partir daí, tudo começará a se resolver.

 

                   Por que dirigimos esta carta aberta ‘a juventude. É porque somente ela tem o poder de mostrar a algumas pessoas que dar pontapés nas portas do hospital não resolverá situações. É porque é ela que tem o poder de mostrar a algumas pessoas que dizer palavrões a moça que atende na recepção, não mudará o sistema de saúde que vigora, não somente em Martinho Campos, mas em todo Brasil.  É porque é essa juventude que navega horas através da internet, e pode assim visitar dezenas ou centenas de hospitais em todo o Brasil e compará-los com o pequeno, mas excelente hospital que temos aqui.  É porque confiamos nesta juventude para reconhecer e valorizar as coisas boas que temos na terra e os esforços que são feitos em benefício da população de nossa querida Abadia.

 

                            Gostaríamos que após estas despretensiosas palavras, jamais alguém tivesse a desagradável oportunidade de ver essas cenas de vandalismo na porta de nosso hospital novamente e que toda a população passasse a reconhecer a grande importância que o Hospital Dr.Odilon Andrade representa e representará, não só para nossa Martinho Campos, mas  para toda a nossa região.

 

                            Meu abraço amigo,

 

 

                            Carlos Foscolo

 

 

                            Martinho Campos, 21 de outubro de 2005